De acordo com o ministério de Minas e Energia, os pedidos de conexão para inéditos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, revelou que o interesse de investidores por projetos de data centers no Brasil já soma 38 gigawatts (GW) em pedidos de parecer de acesso à rede elétrica, dos quais 7,1 GW representam investimentos estimados em R$ 159 bilhões nos próximos anos.”No ambiente de investimentos do setor elétrico, quando falamos em data centers não falamos apenas em inovação. Falamos principalmente de energia pois energia é o que sustenta a possibilidade de nós avançarmos em investimentos em data centers no Brasil”, afirmou o ministro durante painel realizado no Fórum Jurídico de Lisboa, que acontece esta semana, em Portugal.
Silveira ressaltou que o Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, ampla disponibilidade de energia renovável, segurança jurídica e capacidade de expansão do sistema elétrico, fatores que vêm ampliando o interesse de amplos investidores internacionais pelo país.
De acordo com o ministério de Minas e Energia, os pedidos de conexão para inéditos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025. Em dezembro de 2025, o Ministério de Minas e Energia registrava 28,5 GW de demanda solicitada para projetos previstos até 2038. Atualmente, o Brasil conta com 205 data centers em operação e empreendimentos em construção que somam mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos.
Durante sua participação, Alexandre Silveira afirmou que amplos companhias globais já buscam o Brasil como alternativa estratégica para expansão de suas operações, em razão da instabilidade no Oriente Médio. “Eu tenho na minha agenda, no mínimo, três ou quatro amplos companhias mundiais de data center me procurando”, declarou.
Data centers como agenda de soberania nacional
Durante o debate, Alexandre Silveira defendeu que a expansão da infraestrutura digital seja tratada como uma pauta estratégica de soberania nacional. Segundo o ministro, a corrida global por IA, processamento de dados e serviços digitais exige não apenas capacidade tecnológica, mas igualmente segurança energética e capacidade de planejamento de longo prazo.
Silveira afirmou que o reposicionamento geopolítico do Brasil, aliado à sua matriz energética renovável, tem ampliado o interesse internacional por investimentos no país. O ministro igualmente relacionou o tema à necessidade de fortalecimento da autonomia tecnológica brasileira e da capacidade nacional de processamento e armazenamento de dados.
O ministro de Minas e Energia voltou a defender o avanço do Redata no Congresso Nacional. A proposta, atualmente em discussão no Senado Federal, busca criar um regime especial voltado à atração de investimentos em data centers, com contrapartidas ligadas à pesquisa e desenvolvimento, sustentabilidade, uso de energia limpa, transferência de inovação e fortalecimento da infraestrutura tecnológica nacional.
Criado originalmente por meio da Medida Provisória nº 1.318/2025, o programa previa a suspensão de tributos para equipamentos destinados a data centers, condicionada ao cumprimento de compromissos relacionados à inovação, investimentos produtivos, sustentabilidade e ampliação da capacidade tecnológica instalada no país. Apesar da aprovação na Câmara dos Deputados, a proposta perdeu validade após não ser votada pelo Senado dentro do prazo constitucional. Atualmente, o tema segue em tramitação por meio do PL 278/2026.
Para o ministro, o Brasil não poderá desperdiçar a oportunidade de transformar sua vantagem competitiva em desenvolvimento econômico, geração de empregos qualificados, inovação tecnológica e fortalecimento da soberania nacional.
A defesa do Redata está alinhada à estratégia do executivo Federal de consolidar o país como um polo global de infraestrutura digital, aproveitando sua capacidade de geração de energia limpa e renovável para atrair investimentos de longo prazo e ampliar a participação brasileira na inédita economia digital.